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    Um homem morre quando deixa de respirar, mas deixa de viver quando se esquece de sonhar...


    "Ouvi rumores sobre certos leitores sedentos por atualizações..."

    Não vou destilar palavras ensaiadas dessa vez. Pretendo apenas levar as palavras pela mão num passeio sem rumo ou nexo tentando, talvez, perscrever alguns raciocínios. Para citar Drummond, "O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. O tempo pobre, o poeta pobre, fundem-se no mesmo impasse. (...) Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado.", talvez trocando os números, me faria entender.

    De tantos dias que se foram em vão, só resta a rotina do entorpecer (como sempre...o entorpecer, os dias chuvosos, os personagens solitários, o vazio e o enfermo...) por seguir tentando limitar o real, o abstrato, o castigo, o ódio, o amor, a paixão...limitar os meus extremos. Por tanto viver no limiar da confusão, talvez seja mais cômodo tentar viver alheio, tentar seguir meus passos por onde eles forem... Por tanto viver longe do caminho a percorrer, minha alma deformada e insustentada me leva a desvarios imensuráveis e a perdões intermináveis.

    Não tento me fazer entender ou ser entendido. A inversão constante dos valores, as agressões psicofísicas (se me permites), não soam como gatilho, mas como a navalha sem fio do suicida. A gaiola com barras muito afastadas, das quais não posso fugir por consciência da consequência. É como assistir a vida implorando para ser vivida numa vitrine, se oferecendo com sua beleza, sua plenitude...seu preço além do irreal.

    Tantas palavras escapam pelos dedos nas teclas que configuram verbetes numa tela branca, letras pretas. Mesmo que sejam as palavras mais sinceras e toscas ou até palavras que insisto em rebuscar para que vejam alguém genial por trás da obscuridade dos sentimentos... Abusando até da boa vontade de quem ousar perder preciosos segundos de vida vivida com essa leitura, me repetirei, pois o eterno retorno me cansa os vernáculos.

    Este ano o outono passou rápido demais
    E, rápido demais, o que era certeza se tornou o fardo que será carregado por tempo demais
    Até que algo me leve a memória, estes fatos, este outono, me acompanhará como a esfera plúmbica que me acorrenta ao cárcere

    Outra noite já vai passar
    Em instantes outro sol irá se pôr em outro horizonte
    Seremos outras pessoas, com outras esperanças, em outro outono que vai acabar rápido demais
    Permanecerá algo que será chamado de aprendizado, uma certeza de vitória e as mágoas eternas como cristal trincado

    Um dia poderei ter a calma de dizer que já posso não ligar, não dar atenção
    Nesse dia perceberás que o outono passou rápido demais e o que podia ser feito já não vale nada
    Será tarde demais para destilar o amor quando nem a memória restar

    Quando esse outono chegar, não haverá espaço para arrependimento, pois acabará mais rápido que o seu perdão
    Você entenderá que viver é mais que o desejo de reconstruir seu passado
    Nesse outono, a madrugada trouxe as palavras que a ritmo dos dias me fez esquecer...e passou rápido demais.


    "O copo vazio, o hálito hostil
    Outro cristal se partiu
    Você não entende, nunca verá
    Que a tua certeza ficará

    Depois que você for
    Pra onde não há perdão
    Depois que você for
    Os teus erros ficarão aqui

    E, por onde eu for
    Vou trazer comigo a cicatriz
    Do teu sorriso infeliz"

     

    Já não somos mais tão jovens como antes sonhei...



    Escrito por Luiz O. às 21h48
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