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    Um homem morre quando deixa de respirar, mas deixa de viver quando se esquece de sonhar...


    O mundo é nosso quintal

    Sinto como se chovesse lá fora...
    Os pingos me turvam sua visão
    A solidão, fruto do pranto do céu
    Calando a vida por trás da janela

    É como se você, só você, entedesse
    Sem nunca aceitar quem sou
    Só convive com meus defeitos
    Sobrevive ao meu rancor

    Como posso arriscar versos
    Se me sugas da vida?
    Como procurar palavras exatas
    Se, com você, elas se confundem?

    Ao ruído da chuva na janela
    Tento caçar rimas e sentidos
    Sofro pra atingir-lhes a alma
    Com fúteis desculpas e pedidos

    Perdido, vago na escuridão
    Da plena falta do que dizer
    Lembro teu rosto e me calo
    Como se chovesse lá fora...

    É por ti que, em ti, disparo
    Disfarço e desfaço meus versos, amor
    É em ti que, por ti, escarro
    O descaso de meus dias, minha dor

    És meu outono, meu Estado
    Meu presente, meu futuro, meu passado
    És meu cavalo, meu castelo, minha escrava
    Meu reino, minha força, minha espada

    Nessa tormenta de sentidos
    Não ouço, não vejo, não sinto, mas sofro
    Não falo, nem calo, não vivo, só morro
    Não quero, não espero, não choro, mas sonho

    Vem! Leva de mim a calma, a alma
    Me salva, me cala
    Me beija, me aquece
    E esquece! Esquece a chuva lá fora...

    Não preciso das nossas palavras
    Basta o silêncio do vazio atrás da janela
    Seja minha, só minha, e deixa...
    Que chovam nossas últimas gotas...lá fora...



    Escrito por Luiz O. às 16h36
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