O apito atordoante do guarda noturno Traz a paz com seu passo soturno Bebês com seu choro rançoso E no pão, a manteiga chorosa A sinfonia das ruas paradas Engarrafamentos em mesas de bar
Pisar a lama com os pés calçados Beijar a boca das nossas lástimas Em meio a montanhas burocráticas
Será que nos esquecemos de como chorar Ao abraçar causas alheias aos nossos brados Procurando alguém pra nos consolar?
Esqueca da traição de nossas certezas Dos dias uteis tão inuteis, marcados pela ausência Não estou sozinho, ainda cremos no pra sempre Essas palavras simples vão harmonizar nossa essência
Veio de repente e de repente já passou Como um sorriso sendo invadido pela dor Por que soltar sua mão? O sol já vai se pôr! como posso decidir perder o rumo de quem sou?
O tempo de uma vida que já sei que não vivi Como a noite enfrenta o mar, enxergo a luz na escuridão Trouxe a certeza de errar por ilusão Mas antes da alvorada a poesia chega ao fim
Será que nos esquecemos de como chorar Ao abraçar causas alheias aos nossos brados Procurando alguém pra nos consolar?