"Não perambule por minha tumba suspirando Não estou ali. Não durmo aí...
Sou como ventos soprando Sou como um diamante na neve, brilhando Sou a luz do sol sobre a areia dourada Sou, do outono, a chuva gentil esperada
Quando despertas na tranquila manhã Sou a revoada de pássaros que canta Sou também as estrelas que cintilam Quando a noite cai em tua janela
Por isso, não perambule por minha tumba suspirando Não estou ali. Eu não morri..."
O dia em que o palhaço se desfez da pintura de seu rosto moldura do desgosto de viver fingindo ser feliz viu que calejar a alma com a realidade era o sofrer legítimo do ser De quê adiantou tantos anos cortejando sorrisos se a melancolia não abria mão de reger a poesia da vida?
Assistiu vidas se esvaindo como água que evapora antes de ferver o todo Aprendizados formando frutos da desgraça A água dos rios correndo mais rápido que os peixes Que lutavam contra sua correnteza...
Disso formou-se uma lágrima Dor de ver o tempo passar violentamente Levando pedaços de seu coração pro limite do horizonte
Justo é ser grão de areia do deserto Perdido na névoa da nevasca fútil de um mundo frio e impessoal?
Em seu estojo de maquiagem viu perecer a pureza de sua alma Derrotada por desejar a paz...
Escrito por Luiz O. às 14h17
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